Laughbanging, Galhofa de Peso

Paulo Rodrigues e Gustavo Vieira são os responsáveis pelo podcast Laughbanging, um programa descontraído que já ultrapassou a meia centena d’emissões. Meti conversa para saber como anda o Metal. E não é qu’ainda mexe?

Minhas riquezas, temos muita gente a ler-nos que não faz a menor ideia do que vamos falar de seguida. Sugiro, por isso, demonstrarmos o quanto o ouvinte típico de Metal é, na verdade, uma pessoa super-inteligente e nada alcoól.. ó Gustavo, ’tás a abrir essa garrafa para quê meu? São nove e meia! Pronto, ’tá bem. Por acaso ’tá calor! Vamos começar pelas fracturantes:

Gajos como eu não vão a um concerto há mais de 10 anos, não sabem o que saiu de novo porque andam a ouvir o mesmo disco desde 96, não sonham como está a “cena tuga” e muito menos qu’um projecto como o Laughbanging existe desde 2005.

É fácil manter um género musical vivo quando boa parte da audiência deixar de apoiar a coisa quando passa dos 30?

Gustavo: A audiência que passa dos 30 (vulgo, cotas), nunca deixa de apoiar o Metal. Pode não ir a concertos amiúde (tentamos sempre dizer esta palavra no podcast), mas não deixa de comprar merchandising e de criar projectos maravilhosos, originais e de muito sucesso para apoiar o Metal, como é o caso do Laughbanging Podcast. Ok, a parte do “muito sucesso” foi exagerada.

Paulo: Penso que a idade vai-nos tornando mais caseirinhos, daí parecer que apoiamos menos, o que não é verdade. Podemos já não ir a concertos ou vestir t-shirts de bandas, mas em casa estamos sempre a sacar música da net. Isso também é apoiar, certo?

Para explicamos bem às pessoas o tipo de paixão qu’este género causa, contem-me lá as maiores loucuras que cada um de vocês fez pelo som sagrado! Eu foi passar 36 horas num autocarro para ir a França ver Neurosis. Fui e vim, sem tomar banho.

Gustavo: Mas alguém toma banho quando vai a concertos? Quanto a loucuras, não fiz assim nada de especial, mas posso contar duas situações. Ter ido à Ilha do Ermal somente no dia do Metal, de transportes públicos (vários), ter dormido na tenda do parque de campismo ao som de Xutos & Pontapés e todas as refeições terem sido cachorro-quente com moscas da roulotte Psicológico. Também sem tomar banho.
A outra, ter tocado numa banda de black metal onde amiúde (mais uma vez), depois de concertos dados no norte, ter regressado de madrugada, a conduzir, sem dormir, chegar a casa e tomar banho rápido e ir para o trabalho num call-center ainda com bocados de corpse-paint na cara.

Paulo: Faço minhas as palavras do Gustavo quanto ao Festival Ilha do Ermal. Também estive lá (não, não somos um casal). Mas a minha maior loucura foi mesmo ter comprado um CD de uma banda brasileira chamada In Memorian, álbum “Insantification”. Se acham que isto não é uma loucura, é porque nunca ouviram In Memorian.

Como catraio que roubou as primeiras kásétes ao irmão mais velho, tive a sorte de começar logo por Maidens, Zepplins e por aí a fora. Reparei, no entanto, que não se podia gostar de Cannibal Corpse e Avantasia ao mesmo tempo. As coisas ainda estão esta bronquice ou agora só continua a ser assim na Covilhã?

Gustavo: Isso é pessoal quadrado. O que faz essa bronquice, não o da Covilhã. Sempre tive “kásétes” assim. Se fosse hoje, poderia ter algo como Deicide do lado A e Vangelis do lado B. Com muito orgulho.

Paulo: No meu caso, Napalm Death de um lado; The Police no outro, por exemplo. Ainda existem uns quantos assim, mas não passam de água quente que ficou no cano de um esquentador que já não funciona. Eish! Chupa Lobo Antunes.

Por falar em ouvir de tudo; há géneros dentro do Metal que nunca encaixei (Grinds e cenas). Há algum estilo que simplesmente não suportem? Porquê?

Gustavo: Sim. Drone (quase adormeci ao escrever a palavra) e Metalcore (quase vomitei ao escrever a palavra).

Paulo: E Funeral Doom. Um tipo que esteja a escrever uma carta de suicídio, mas sofra de writer’s block, Funeral Doom é a maior fonte de inspiração que pode ter.

Tendo em conta que o Lemmy e o Dio já tão a ensaiar pá nova banda deles, quem fica na bateria e nas guitarras?

Gustavo: Bateria (Clive Burr), Guitarra (B.B. King). Mas tinham que tocar crust/grindcore, com o Michael Jackson a fazer de segundo vocalista.

Paulo: Chuck Schuldiner na Guitarra, cuja complexidade dos riffs levaria o Lemmy e o Dio a morrerem novamente, e Lars Ulrich na bateria, claramente o mais morto de todos os nomes aqui falados.

Voltando ao Laughbanging; acham qu’ainda há tempo para digerir tanta música? Os nossos discos preferidos não se terão tornado clássicos porque tinham tempo para ser devidamente apreciados? O futuro, comé?

Gustavo: Tempo para digerir música há, mas é impossível ouvir tudo. Se já o era nos anos 80, quanto mais agora que qualquer um lança uma demo em CD ou um video no Youtube e está feito. Cada vez mais vamos ter bandas novas para ouvir e muitas que nunca iremos ouvir. Provavelmente algumas é melhor assim. Ou se calhar não, até porque nos dá jeito para gozar no Laughbanging.

Paulo: O futuro é muito bocejo. Pelo menos para mim. Ultimamente abandono a audição de muitas bandas porque me fazem lembrar coisas que já ouvi vezes sem conta. É ingrato para as bandas que estão a surgir agora, algumas delas até com excelentes músicos, mas é assim que a coisa está.

Do que percebi numa pesquisa de 15 minutos (*agacha-se das pedras e dos gritos POVSER!*) a cena nacional continua a mandar bandas cá para fora, ultimamente numa saudosa onda de saudosismo.

Mas ainda nada – creio! – que se destaque lá fora. É porque não temos bandas com a qualidade d’uns Gojira? Ou não há mamalhudas para uns In This Moment tugas?

Gustavo: Isso dos Gojira foi uma piada, não foi? Quanto a bandas portuguesas não terem sucesso lá fora, talvez seja porque o resto do mundo pensa que somos uma província de Espanha e que já há muitas bandas portuguesas conhecidas lá fora, como Muro ou Dark Moor.

Paulo: Para além disso, para uma banda se conseguir impor lá fora, os seus membros não podem ter uma outra profissão que não aquela, o que em Portugal é suicídio. Só assim podem evoluir rapidamente, dar o maior nº de concertos e se mostrar. Caso contrário, não passa de um hobby barulhento.

Já passaram as 60 emissões. A ideia é chegar às 666 e depois o Paulo dá uma de Mayhem ou esperar qu’o Freitas morra e ficar com o programa dele?

Gustavo: Laughbanging 1 hora por dia na Antena 3? Acho que quem iria dar uma de Mayhem seria os ouvintes.

Paulo: Está descansado, Gustavo. Se cozinhasse o teu cérebro, seria sempre com óleo de coco, o teu preferido.

Foi um prazer meus amores. Terminem faz favor com as 5 coisas que mais vos Zangam, ’tá bem? STAY TRUE, DIVIDED WE FALL, UNITED WE COISO ‘EVER! ‘Té logo.

Gustavo: Ter vontade de vomitar, não ter álcool em casa, passarem Drone e Metalcore em programas de metal, a burocracia de Portugal, o que resulta da perda de neurónios de muita gente quando se liga às redes sociais.

Paulo: estar obstipado; estar obstipado e não ter wifi; estar obstipado, ter wifi, mas este não funcionar; estar obstipado, ter wifi, mas não ter bateria; estar obstipado, ter wifi e bateria, mas não ter papel higiénico.

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