Pagadores de promessas. Vou por si a Fátima por uns meros 2500€ !

Vamos a mais um “então mas as pessoas são estúpidas ou fazem-se?” relacionado com religião? Siga para mais gente a lucrar com a fé dos outros.

Diz a Renascença que usam os sites de anúncios, mas também as igrejas e até contam com a ajuda de padres. A rádio falou com cinco homens que fazem o que outros prometeram – uma prática que o Santuário de Fátima não valida mas que acontece com cada vez mais frequência.

Afinal, se Nossa Senhora me deu dinheiro para queimar, porque não usá-lo para melhorar a vida dos outros? É só pesquisar no OLX ou no Custo Justo para encontrar um número crescente de pessoas que oferecem o serviço de “pagadores de promessas”.

Um dos que mais gostei foi Tiago, um pagador de promessas fascinante e capaz de defender a sua… actividade:

Para Tiago Gentil tudo começou com um drama familiar. O pai estava muito doente e a mãe prometeu ir a pé a Fátima se o marido melhorasse. O pai até recuperou, mas a mãe morreu sem cumprir a promessa. Tiago assumiu a promessa. Tinha 15 anos. Desde então, não parou mais.

Já perdeu a conta às vezes que foi até ao Santuário de Fátima tendo como ponto de partida Almada. De cada vez que fez os cerca de 140 quilómetros somou 2.500 euros – o valor que cobra a quem quer cumprir esta promessa.

É contactado por todo o tipo de pessoas que “se acha impedida de cumprir a promessa e se sente em falta”.

Tiago, baptizado e crismado, trabalha como segurança privado. Não acha estranho que as pessoas paguem para que ele cumpra as promessas que fizeram. Para ele é simples. “Ao pagar, essa pessoa está a despender do seu dinheiro. Para o ganhar, despendeu de tempo porque trabalhou”, e reforça: “[A pessoa] está a prescindir da comodidade que esse dinheiro lhe podia dar. Está a despender do fruto do seu trabalho, pagando o meu tempo… É esse o seu sacrifício!”

Percebes? Não há nada de mau, estúpido, enganador ou absolutamente ultrajante nisto! É troca por troca, ela por ela.

Além dos 2.500 euros que cobra por cada peregrinação, rezar um terço também tem um preço: 250 euros. Já acender uma vela representa 25 euros no preçário de Tiago.

O lado comercial do cumprimento de promessas não faz qualquer confusão a António, outro profissional da área. Confessa que nem percebe as críticas. “Sou sincero, isto envolve dinheiro, mas é também um sofrimento. Uma pessoa vai a pé, vai sozinho, temos de comprar bom calçado e temos despesas também. Quem quer pagar, paga; quem quer fazer, faz. Isto não tem mal nenhum, não se está enganar ninguém e há coisas bem piores.”

Há sim senhor, sôr António, há mesmo. O inferno, por exemplo, que é para onde vão os que roubam gente burra.

Por falar em gente burra, pode ter escapado ao católicos menos atentos, mas a igreja já se pronunciou várias vezes sobre o assunto: basicamente, se não tens guito, não te preocupes que a vossa senhora não leva a mal.

Até porque, quanto menos gastares nos comes e bebes e nos ímans pó frigorífico, mais fica na caixinha de esmolas.

Restar terminar que leias o texto completo aqui. Acredita, vale a pena.

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