Em Defesa da Vossa senhora de Fátima

Chega, Portugal. Chega de dizer mal da Fátima e de quem nela acredita. O que tu precisas para compreender a fé desta gente é saber mais sobre o “Milagre do Sol”.

“Espera, espera… ó Zangado tu vais mesmo defender aquele gente que acha que uma entidade divina veio avisar três putos da Cova da Iria para os males do comunismo?!”

O que se vai esquecendo é que Fátima não se tornou no que é meramente pelas aparições aos putos. A 13 de Outubro de 1917 aconteceu um evento hoje conhecido pelo “Milagre do Sol”. Ora, tal evento foi testemunhado por cerca de 70 mil pessoas.

O ÚNICO RELATO QUE REALMENTE IMPORTA

Como Portugal era na altura um país de analfabetos (ao contrário do que acontece hoje em dia, claro está) resta-nos o relato de José Maria de Almeida Garrett, professor da Faculdade de Ciências em Coimbra. Que diz o seguinte:

“Seria 1h30 da tarde quando surgiu, no sítio exato onde estavam as crianças, uma coluna de fumo, fino, delicado e azulado, que se extendia talvez uns dois metros por cima das suas cabeças e se evaporava a essa altura. Este fenómeno, perfeitamente visível ao olho nu, durou uns segundos. Não tendo notado quanto durou, não posso dizer se foi mais ou menos de um minuto. O fumo dissipou repentinamente, e depois de algum tempo, voltou a aparecer uma segunda vez, e depois uma terceira.

“O céu, que tinha estado encoberto todo o dia, de repente se aclarou; a chuva parou e parecia que o sol ia encher de luz a paisagem que a manhã de inverno tinha tornado tão triste. Eu estava olhando para o sítio das aparições na expectativa serena e fria de que acontecesse alguma coisa e já com a curiosidade diminuída porque tinha passado muito tempo sem que nada despertasse a minha atenção. O sol, uns momentos antes, tinha penetrado a camada espessa de nuvens que o escondiam e agora brilhava claro e intensamente.

“Subitamente ouvi o alvoroço de milhares de vozes e vi toda a multitude espalhada nesse espaço vasto aos meus pés… virar as costas ao sítio onde, até então, todas as suas expectativas estavam focadas, e olhar para o sol no outro lado. Eu também me virei para o ponto que comandava o seu olhar e pude ver o sol, como um disco muito claro com uma margem muito aguda, que vislumbrava sem ferir a vista. Não se podia confundir com o sol visto através de um nevoeiro (não havia nevoeiro nesse momento), pois nem estava velado nem turvo. Em Fátima, mantinha a sua luz e o seu calor, e sobressaia nitidamente no céu, com uma margem aguda, como uma grande mesa de jogo. A coisa mais espantosa era poder olhar para o disco solar por muito tempo, brilhando com luz e calor, sem ferir os olhos ou prejudicar a retina. [Durante este tempo], o disco do sol não se manteve imóvel, teve um movimento vertiginoso, não como a cintilação de uma estrela em todo o seu brilho, pois girou sobre si mesmo nu rodopio louco.

“Então, de repente, ouviu-se um clamor, um grito de agonia vindo de toda a gente. O sol, girando loucamente, parecia de repente soltar-se do firmamento e, vermelho como o sangue, avançar ameaçadoramente sobre a terra como se fosse para nos esmagar com o seu peso enorme e abrasador. A sensação durante esses momentos foi verdadeiramente terrível.

“Todos os fenómenos que descrevi foram observados por mim num estado de mente calmo e sereno sem nenhuma perturbação emocional. Cabe aos outros interpretá-los e explicá-los. Finalmente, tenho que declarar que nunca, antes ou depois de 13 de Outubro [1917], observei semelhante fenómeno solar ou atmosférico.

O CULTO A FÁTIMA NÃO COMEÇA COM A IGREJA

Muito antes da igreja perceber que estava ali uma boa maneira de encher caixas de esmolas, já o povo estava há muito rendido a Fátima.

Tudo isto, porque aquela gente não precisou sequer de acreditar nos putos. Viram com os seus próprios olhos, algo de muito invulgar. Foi encomendada a primeira estátua e começaram-se a realizar missas e por aí a fora.

Ainda sobre a imagem da fascista Fatinha: os pastorinhos disseram que ela tinha meias e saia pelo joelho, mas já sabemos como são estas coisas: vamos cobrir que as santas não são dessas badalhocas que andam para aí. Sabe mais nesta reportagem.

Mas as disparidades não se ficam por aí.

SALAZAR E OS TRÊS F’s

A própria Igreja começou por não dar crédito à narrativa das “aparições”, sobretudo à conversa de Lúcia – os seus primos Francisco e Jacinta nunca abriram a boca – com uma Nossa Senhora “sem cabelo e sem orelhas” à vista, que falava português fluentemente e que Lúcia ganhou o hábito de interpelar com um “Vossemecê que me quer?” quando ela lhe “aparecia”.

E a verdade é que a Igreja só reconheceu oficialmente a primeira “aparição” – houve imensas, como se sabe – 13 anos depois, em 1930, na onda do golpe militar do 28 de Maio (de 1926) e já com Salazar no poder, a preparar a institucionalização do regime ditatorial do Estado Novo.

Para Salazar o “milagre de Fátima” tornou-se uma arma de arremesso contra a República, a liberdade e a democracia, contra o ateísmo e o comunismo.

FÁTIMA ERA UMA “PESSOA” HORRÍVEL?

Mal aterra na azinheira, Fátima começa por lhes anunciar, às duas mais novinhas e também mais aterrorizadas, que brevemente as vai levar para o céu, maneira eufemística de dizer que elas vão morrer antes do tempo”.

Aposto que quando lhes explicou que era para serem “santificadas” cem anos depois, perante o Papa Francisco e o Presidente Marcelo, elas nem se importaram tanto quanto isso.

TEORIAS E MAIS TEORIAS

Apesar de ultimamente coisas como a Aliança Evangélica ou o professor universitário Anselmo Borges, padre da Sociedade Missionária Portuguesa, que afirmou em entrevista ao jornal Expresso: “É evidente que Nossa Senhora não apareceu em Fátima. Uma aparição é algo objectivo.”

E não são os únicos dentro da igreja, actualmente, a negar ou declarar como visões o que os catraios experienciaram, como aliás poderás ver nesta reportagem.

Terão, mais de 70 mil pessoas, alucinado em conjunto? Foi uma cena climatérica que os ‘mericanos amandaram pá Cova de modo a convencer o pessoal que o comunismo era péssimo? Fátima é na verdade uma alien nórdica vinda das Pleiades? Bom, a parte do Sol girar e descer sobre as pessoas… eu cá fico-me pelos Áliens.

Mas, menos que a moça volte cá, acho que nunca saberemos. Ainda assim, talvez seja melhor não negares, vá, assim logo à partida, uma ciência que desconheces.

Termino com a mais recente aparição da Fatinha, neste caso, a um artista de spoken word:

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