Agustina Bessa-Luís não vende que chegue por isso terá de arranjar um part-time

A Babel, editora de Agustina Bessa-Luís, diz que a escritora não vende que chegue para lhe continuarem a pagar o que pagam. Por isso não tarda a Agustina está a servir bigmacs.

Vamos começar isto com informação sobre mim que tem pouca ou nenhuma importância para este título? Vamos lá.

Aqui o Zangado, quando era novo, acima de tudo, queria ser escritor. Ou seja, passar os dias a escrever, entregar os resultados a uma editora, tirar uns 1500 € por mês e eu seria a pessoa mais feliz deste mundo e do outro.

Quatro livros editados depois descobri que fui roubado nos dois primeiros (claro que te damos 10% das nossas vendas que não tens qualquer forma de controlar) e os outros dois, por mais e-mails que enviasse, como não estava com vontade de dar umas linhas na Lux ou fazer sexo oral a uma cinquentona, também venderam pouco.

Bom, tudo isto para relembrar aos mais novos que ser escritor neste belíssimo país é das ideias mais estúpidas que poderás ter. Primeiro porque a literatura portuguesa tem alguns dos melhores escritores do mundo com uma obra muito difícil de superar, e depois, porque boa parte deles morreu à fome ou na pobreza.

E pelos visto, tirando os actuais cagalhotos que dominam as vendas de livros em Portugal, ainda assim é.

Agustina, de 94 anos, era o nome forte da editora Babel e recebia, precisamente, 1500 € por mês por ser a “estrela da casa”. No entanto as vendas da autora têm sido muito, mas muito pequenas. Durante anos, A Sibila foi o livro mais popular de Agustina, mas as suas vendas anuais rondam agora os 500 exemplares. Daí a tentativa de renegociação com a filha da escritora que acabou por não dar frutos. O resultado? A Babel retirou todas as obras de Agustina das suas prateleiras.

BEM-VINDA AO CAPITALISMO AGUSTINA

“Quero lá saber da velha pa, aposto que o que escreve é uma seca. Se não vende azar o dela. Tem que vender.”

Ora, e é aqui que começa um dos piores cancros desta adorável sociedade. Ou vende, ou não presta.

E quando este conceito chega aos livros… bom… é irrelevante. Já ninguém lê e não, ça foda.

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