Bumba na Fofinha, uma entrevista

Bumba. Voz indicativa do estrondo ou barulho do que cai. Fofinha. Que é macia. Dualismos, dubiedades e da melhor escrita humorística no feminino que temos visto cá pelo burgo nos últimos anos. Todas as semanas num jornal perto de ti. Depois de meses a procura-la e a garantir que não era cobrador da EMEL, conseguia finalmente uma entrevista. Aqui fica ela!

Bumba na Fofinha foi escolhido de propósito para que não se consiga dizer o nome sem gargalhadas compulsivas?

Sim, toda a gente sabe que o “ah ah ah” e o velho “LOL” estavam a ficar démodé, o “eheheh” sempre pareceu meio taradão e o “jejejeje” nunca foi muito digno porque mandava aquele pivete a nuestro hermano. Era preciso trazer novidade sonora à gargalhada, e esta foi a escolha onomatopaica mais lógica para começar um novo movimento de cidadania, composto unicamente por pessoas que se riem com “bum-bum-bum-bum”, “fo-fo-fo-fo-fo-fo” e “nha-nha-nha”. Uma lufada de ar fresco. Quanto aos que depois disto ainda insistem em rir-se com “kkkk”, é atropelá-los de chaimite.

Alguma vez jantaste numa Hamburgaria Gourmet? Se sim, não achaste caro?

Sim, foi uma roubalheira e o serviço foi péssimo. Deixaram cair gengibre na minha limonada, puseram rúcula em vem de alface e obrigaram-me a pagar extra pelo “bolo do caco” – vá-se lá entender o jargão desta juventude – quando este corpinho não tocou em sobremesa de espécie alguma.

Para mostrares que és um gigante novo talento da escrita criativa humorística em Portugal (NIB em anexo) já apareces regularmente em jornais com uma coluna de opinião. Como foi passar das redes sociais para as páginas em papel?

Nada de mais, foi bom sentir que comecei a acolchoar as necessidades de cães e gatos de marquise (e agora os fanáticos dos gatos vêm choramingar com ai-como-te-atreves-os-gatos-fazem-sempre-na-areia-e-até-fazem-aquela-acrobacia-com-a-pata-para-limpar-a-própria-genitália-são-do-mais-higiénico-que-há).

Porquê escrever e não ir ao futebol insultar árbitros ou melhor ainda, dar duas chapadas ao cônjuge?

Quem disse que não o faço o 3 em 1? O rácio está em 1 post para cada 7 chapadas no cônjuge durante os 90 minutos de jogo, e ainda pede para lhe chamar toda a sorte de nomes marotos.

bumba-na-fofinha

A tua inspiração vem de drogas psicotrópicas ou outros? Embora eu ache que é a primeira, por favor elabora.

Neste momento escrevo-te do computador de um hostel em Aljezur cujo wallpaper são dois cogumelos de mãos dadas. Agora pensa.

Como meia dúzia, a tua identidade mantém-se ocultada. É porque deves às finanças?

Por isso e porque na verdade nunca ninguém se interessou em conhecer a minha identidade, para se ser oculto é preciso que alguém procure senão é como jogar à apanhada sem sair do coito. Nem uma mísera pesquisa no Google. Eu bem tentei, mostrei um coco ocasionalmente, mas ninguém se interessou na verdade.

Tendo noção que vives num mundo capitalista, como ganhas dinheiro para fazer recursos aos processos que te metem em tribunal?

Não faço nada, confio na nossa Justiça para empatar ad eternum e deixar prescrever. Há sapiência que só se adquire depois de 576€ em multinhas amarelas da EMEL, meu amigo.

Dizes-te com estudos e ancas parideiras. Concordas ainda assim com a obrigatoriedade de realizar testes psico-técnicos antes de poder votar ou ter filhos, ou és adepta do deixa andar?

Não concordo, porque se Deus me deu ancas parideiras é porque pecou noutras virtudes, e só Deus sabe que passei a Métodos Quantitativos por uma nesguinha.

Bumba na Fofinha, o que diz o teu histórico do browser?

As minhas pesquisas mais comuns acontecem quando eu prefiro coçá-los, se os tivesse. Mas como é horário de expediente eu vergo-me ao compromisso e faço do Google o meu inner-Gustavo Santos: “Como melhorar a concentração no trabalho?” “Como evitar procrastinar?” “Como ser produtivo?”. E depois em inglês para alargar resultados. “How to avoid procrastination? How to be productive?”

E tendo em conta que pareces ter uma TPM maior que a maioria, o que te zanga realmente?

É maior na medida em que não cessa, é uma forma de estar na vida, como preferir alcatifa em vez de tijoleira. No campo do aborrecimento estão as pessoas que ainda usam Comic Sans. No campo das coisas que me fazem zangar à séria estão os cabelos no ralo, os cobardolas que insultam na internet e tudo o que seja à base de Aloé Vera – é tão 1999. A chia é o novo aloé, toda a gente sabe.

O que toda a gente sabe é que pode ler a Bumba na Fofinha no jornal Metro ou www.bumbanafofinha.com

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