Quimera The Blog, curto e grosso

Sem filtro, irritado com o preço do pinhão ao kilo e um dos mais ferozes e originais criativos da nossa praça. Do rodeio mictório com os sensores de luz das casa-de-banho dos homens, aos Delfins, Quimera The Blog é curto e grosso (é que eu já vi!) e gentilmente nos oferece esta entrevista exclusiva para rir, pensar e questionar. Sem mais demoras, aqui a fica.

Uma Quimera era na Grécia antiga um ser mitológico híbrido. Agora é um blog. Como aconteceu a transformação?

F*da-se, muita bom! “Na Grécia antiga um ser mitológico híbrido”. Parecias a Alexandra Lencastre a debitar merd*s que sacou da Wikipedia. A transformação foi fácil: foi pegar na Quimera (essa da Wikipedia), acrescentar um “d” e uns parêntesis, e ficou Quimer(d)a. Depois foi só juntar “The” e “Blog”, meter tudo dez minutos na varoma da Bimby, em velocidade 3, e voilá: temos um blog com esse nome.

Um ano passou desde do início deste teu terceiro blog. Qual o balanço até agora? É desta que casas e tens filhos ou é só uma questão de tempo até dares um salto a um bar de alterne e pagares pensão de alimentos?

O balanço até agora são -23€ que gastei num anúncio quando foi para chegar às 1000 pessoas na página de Facebook. E agora que falas nisso, normalmente no alterne gasto um bocadinho mais. Mas falando do blog: está mais parado que a minha vida sexual. Como daqui a um mês estarei provavelmente desempregado, voltarei a ter tempo para escrever merda. Mas a verdade é que quando os meus blogs me começam a dar muito trabalho, normalmente acabo com eles. É aquela lógica do casal McCann.

Consideras que há demasiada gente delirante com blogues a achar que alguém quer saber da opinião deles ou Liberdade, Igualdade e Fraternidade?

Claro que há. Aliás, tenho-me esforçado por passar essa mensagem, o que inclusive já levou a que pessoas na blogosfera cortassem relações comigo. O facto de uma gaja ir aos saldos da Berskha ou da Zara, e depois tirar fotos às cuecas e aos tops espalhados em cima da cama, não devia fazer delas Fashion Bloggers. Outro exemplo: ninguém abre a porra de um blog para levar com os problemas que uma gaja tem com o namorado, ou com as peripécias do filho dela recém-nascido. Atrevo-me a dizer que, actualmente, 98% dos blogs nacionais são merda. E o meu também. Mas a diferença é que eu faço força para cagar no meu. Percebeste a lógica..?

Quando dizes Sarcamo Gourmet significa que vem pouca comida, fria e demasiado cara?

Sim. Sabes, eu gosto de me ver como um Life Coach do Sarcasmo e da Estupidez. E, como Life Coach, a minha cena passa um bocado por enganar as pessoas com banha da cobra. Sobretudo no Facebook opto por publicar “refeições” curtas e frias. Acho que é o que os clientes gostam. Cara? Enquanto o pinhão estiver a 120€/Kg nenhuma refeição será “cara”.

E porquê Sarcasmo e não outras figuras de estilo? O que consideras especial em ser sarcástico?

O sarcasmo é óptimo para dizer meias verdades e mandar indirectas. Não há melhor. Uso muito com as gajas. Normalmente só ando com gajas burras que nem calhaus, por isso enfio-lhes com o… sarcasmo.. e depois, quando elas perguntam “O que é que queres dizer com isso?!?!”, eu dou-lhes a volta facilmente. Além de que “Sarcamo em Doses Gourmet” é um bom slogan. “Onomatopeias em Doses Gourmet” não me soava tanto…

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Gostando de Indie britânico, não achas que as bandas portuguesas do mesmo género tentam demasiado para nunca chegar lá nem perto? Ou seja, Radiohead está óptimo, mas “Os Azeitonas”, “Os Toranja”, os “The Gift”?

Não concordo. Mas antes de responder à sua pergunta (sempre quis dizer isto numa entrevista!!), acho profundamente lamentável falar de “música portuguesa” e não mencionar os Delfins ou a Mafalda Veiga. Mas agora a sério: não acho que haja muito a separar os Azeitonas dos Radiohead. É ela por ela. O gajo dos Toranja também tem um potencial de Thom Yorke mas precisava de levar primeiro com uma injecção de tranquilizante para cavalos, para cantar mais devagar. A Sónia Tavares faz-me sempre lembrar a Pequena Sereia, mas em adulta e depois de ter saído de uma Clínica de Reabilitação. Tem a ver com o cabelo vermelho, as tatuagens e a voz de bagaço. Preconceitos meus.

A maioria dos blogguers que encontro pelam-se todos com os erros ortográficos. Também és assim? Crês que todos dominam a língua portuguesa como se d’um Camões se tratassem?

Foi por isso que escreveste mal “bloggers” na pergunta?
Sim e não. “Sim”, abomino erros ortográficos. Aliás, eu começo o meu segundo blog única e exclusivamente para praticar a escrita. A ideia era, quando chegasse a altura, a minha tese de Mestrado não ir cheia de erros. Mas depois enganei-me a escrever “Gandhi” logo naquela página inicial da tese que tem uma citação maricas. E “não”, nem toda a gente domina a Língua Portuguesa nem tem obrigação de o fazer. Mas meterem cedilhas em “você” faz-me pensar em Auschwitz.

Se fosses tu a mandar, como era? Mas a mandar completamente. Em tudo. Tipo, senhor de todos os reinos. O que poderíamos esperar para Portugal e o mundo?

Pinhão a 1€/Kg, aumentava a esperança média de vida para os 250 anos, e só existiam dois canais de televisão: Fashion TV e Sporting TV. E as gajas tinham todas sardas (na cara, não da cintura para baixo) e olhos verdes.

Pedro, o que diz o teu histórico do browser?

Diz que andei no Brazzers. Ameaçaste publicar lá um vídeo nosso a fazer esgrima com os pirilaus, se eu não respondesse a esta merda, e então fui lá ver se entretanto já o tinhas feito. Mas afinal não. Quando pesquisei pelo teu nome só encontrei aquele em que tu e um rapaz do Congo estão a jogar beer-pong, mas em que em vez de usarem copos para acertar com as bolas de ping-pong, usam os rabos um do outro.

Enumera com elegância, as coisas que mais te zangam.

Conversa de circunstância. Coca-cola sem gás. Telefonemas em número privado. O pickle do Big Mac. Gajas de sabrinas. Sensores de movimento nas casas de banho. Que publiquem vídeos meus no Brazzers. A febre do sushi. O preço do pinhão. O plágio (só quando não sou eu a fazer). Que gajas com sardas (na cara) e olhos verdes não me dêem trela.

Então e isto acaba assim? Sim senhor.
Então olha, tudo de bom.

Ãh? Ah, acaba acaba. Fiquei sem saldo de ligar pó Portugal em Festa. De qualquer forma, se chegaste até aqui está mais do que na hora de fazer um gosto no Facebook da Quimera e espreitar as pérolas em http://quimeratheblog.blogspot.pt

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